quinta-feira, 2 de maio de 2013


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Querido Diário,

Durante a noite pensei muito no que fazer, queres saber o que é? Não é bonito de se saber, mas terei que o fazer para o bem da minha família, eles estão e estarão sempre em primeiro lugar na minha vida, vou entregar-me, não consigo suportar a ideia que estou bem e eles estão naquela cela nojenta, não sei o que irá acontecer a seguir, provavelmente vão matar-me mas tudo isto será melhor do que vê-los em sofrimento… Mas de uma coisa eu sei… Esta é a coisa mais acertada e mais corajosa que alguma vez farei em toda a minha vida!

Fim!

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Querido Diário,

Quando acordei vi vários papéis nas árvores com a minha foto (afinal o dia de ontem foi apenas uma pausa em toda esta guerra), lá dizia duas coisas, quem me apanhasse viva ou morta ganhava uma recompensa, e o outro era se eu voltasse e me entregasse iriam soltar os meus pais…
O que é que eu faço? Não quero que os meus pais fiquem presos numa prisão sem condições nenhuma por minha causa, além disso eu nem tenho quem cuide de mim ou trate de mim por aqui, provavelmente o melhor será entregar-me, isto é, se não me matarem pelo caminho ou assim…
30.10.2012

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Querido Diário,

Bem, hoje foi um novo dia, impressionante-mente foi um dia de paz e sossego, sem caçadores há minha procura, foi um dia para o descanso, já não era sem tempo, eu bem merecia!
29.10.2012

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Querido Diário,

Todos os dias é a mesma coisa, tenho que fugir dos caçadores, eles não me querem por cá, o que achas que deva fazer? Ir para um sítio onde ninguém me conhece? Ir para um sítio sem ninguém? Entregar-me? Eu apenas quero voltar a ser como era!
28.10.2012

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Querido Diário,

Ontem foi noite de lua cheia, experimentei tirar o capuz, e lembro-me de tudo exactamente como foi, consegui-me controlar pela primeira vez.
Mas desta vez tive a cede de matar, tinha que me alimentar, mas não podia ir há aldeia, decidi então ir dar uma volta pela floresta, foi quando vi que estava lá um animal lindo que eu nunca tivera visto, era um veado, parecia delicado, e alegre, mas não me consegui conter, estava com fome, sabia tão bem. Apeteceu-me voltar a fazê lo vezes sem conta, mas não o fiz, aquele pobre animal não merecia o que lhe fiz…
27.10.2012

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Querido Diário,

Não consegui ver os meus pais, quando cheguei há aldeia, todos estavam com armas e fogo apontado para mim, começaram a correr na minha direcção, apenas tive tempo de fugir, corri durante horas, mas finalmente consegui esconder-me.
Não suporto estar longe dos meus pais, porque é que eu tenho que ser assim? Porquê eu?

26.10.2012

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Querido Diário,

Hoje, a minha avó fez-me um capuz azul, com o manto que meu avô me tivera dado, se eu tivesse aquilo não me transformara em lobo, e pensei de imediato, será que aquela senhora misteriosa da aldeia também usara um capuz pelo mesmo motivo que eu?
Bem de qualquer das formas é bom porque assim, posso ter uma vida normal.
Amanhã regressarei a casa, quero ver como tudo anda por lá, agora que estou mais segura comigo mesma.
25.10.2012

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Querido Diário,

Cheguei a casa deles contei-lhes tudo o que se havia passado nestes dias, eles contaram-me que na linhagem dos lobisomens se um dos avós não morder o neto, este morre pois sem a mordedela não tem força suficiente para sobreviver, não percebi muito bem o que eles quiseram dizer com isto mas desculpei o avô. Disseram-me também que agora não me lembrara do que acontecera todas as noites, mas se bebesse uma espécie de poção poderia lembrar-me e poderia aprender a controlar os meus instintos, como era a única opção aceitei de imediato, sinto-me estranha, como se estivesse a queimar por dentro, sinto que o meu organismo mudou e que nunca mais irei voltar a ser a mesma, sinto a cede, e a vontade de matar, sinto-me como nunca me sentira antes…
Daqui a uns dias voltarei para a aldeia, não sei o que me espera lá, não tenho medo, mas sinto angústia por ter deixado os meus pais para trás, sinto que algo vai acontecer…

24.10.2012

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Querido Diário,

Vou a casa dos avós amanhã, os meus pais disseram-me para ir ter com eles durante um tempo até tudo acalmar, será que lhes vai acontecer alguma coisa e eles não me querem dizer?  Só espero que não, eles não têm culpa de nada...
De qualquer maneira preciso de falar com os avós, eles sabem o que se está a passar, e preciso de saber porque o avô me mordeu há uns anos atrás.
23.10.2012

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Querido Diário,

O manto que o avô me deu tem mesmo poderes, não permitira que eu me transforma-se, mas porque será que das outras vezes eu me transformei e desta não?
Bem o que interessa é que já não estou presa, mas todos me olham de lado, pensam que devo conseguir controlar a transformação ou assim.
22.10.2012

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Querido Diário,

Adivinha onde estou. Estou onde todos os criminosos deviam estar e eu sem culpa do que me anda a acontecer tenho que estar aqui. Não estás a perceber onde estou? Estou presa, e só te pude trazer a ti, o meu manto azul e os diários do avô. Foram revistar todas as casa da aldeia, e no meu quarto viram os arranhões, os pelos e as correntes, todos acham que os meus pais me estavam a tentar esconder e eles coitados nem sabiam de nada. Amanhã vou a julgamento para verem o que me vai acontecer, vou ter que estar aqui trancada para eles verem todas as fazes da minha mudança e para eu não agredir ninguém, todo o povo vai estar lá a olhar para mim com olhos de quem me quer matar, mas eu não tenho culpa, não tenho culpa de ser assim, eu nem me lembro de me transformar.
21.10.2012

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Querido Diário,

Lembras-te daqueles diários que os meus avós me deram? Li os até ao fim, o diário é do meu avô, lá dizia que ele me tinha mordido quando eu era pequena, então no dia em que fizera 16 anos, todas as luas cheias me iria transformar, e assim aconteceu…
Lá dizia que a única maneira de ficar apenas humana, é matar quem nos transformou, mas eu nem ponho a hipótese de o matar.
Mas porque é que ele me fez isto? Porquê eu?
20.10.2012

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Querido Diário,

Lembras-te do que te falei ontem? Do que eu iria fazer? Bem eu fiz, de manhã estava toda cheia de sangue, com pelo há minha volta, e com a cama completamente toda desfeita… Percebes o que isto quer dizer não percebes? As minhas expectativas estavam certas, sou eu, sou eu o lobisomem que mata todos os que se metem no seu caminho, apenas não matava quem ama, foi por isso que o meu pai não morreu naquela noite, eu nunca lhe iria fazer mal, nem a ele nem há minha família, foi por isso, que a nossa casa nunca foi atacada, foi por isso que naquelas duas noites em casa dos avós ninguém foi atacado, apenas as galinhas deles… O que faço agora? Ajuda-me! 

19.10.2012

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Querido Diário,

Tenho andado a pensar na possibilidade de ser eu o lobo, tudo aponta para mim, não achas? Bem eu acho, e decidi, que hoje há noite irei prender-me com as correntes que o meu pai havia guardado para a próxima caça ao lobo, e ire-mos ver o que acontece…
Se for mesmo eu o que farei? Fugirei? Aguentarei até ser morta e continuarei a matar criaturas inocentes?

18.10.2012

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Querido Diário,

Por estranho que pareça, não houve nenhum ataque esta noite o que é estranho, há muito tempo que não houvera sossego por cá, mas ainda mais estranho era aparecem me arranhões assim do nada em partes do corpo. Adormecera sem eles na noite anterior, se fossem apenas borbulhas não era estranho, era normal, mas arranhões?
17.10.2012

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Querido Diário,

Hoje eu tivera passado o dia em casa, está um tempo chuvoso lá fora, ao espreitar pela janela não se via ninguém, apenas uma senhora de capuz azul, muito parecido com a manta que meu avô me houvera oferecido, parece-me estranha, nunca a tivera visto por cá, não mostrara sua cara, o capuz era grande e não deixara que ninguém a reconhece-se, mas mesmo assim eu percebera que ela não era de cá, porque estará num sítio como este, perigoso, e á chuva?
Ultimamente têm acontecido coisas muito estranhas, pessoas desconhecidas, o lobo apenas atacar quando estamos em casa, acordar nua na floresta, perder a fome… Será que tem acontecido com outras pessoas senão eu?
16.10.2012

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Querido Diário,

Enquanto estivera em casa dos meus avós, eles tinham-me dado, uns livros antigos, aparentavam ser uns diários, comecei a lê-los e pareceu tudo tão estranho, o livro era invulgar, era de alguém que era metade humano metade animal, mas assustou-me e eu não quis continuar a ler, lá dizia que essa pessoa só se alimentava de animais, há um tempo havia ter-se alimentado de humanos, mas a descoberta de sua vida dupla não a permitira mais e tivera que se mudar para um local apenas com animais, a história era brusca e parecia irreal, não o quis nem ver mais há minha frente…
15.10.2012

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Querido Diário,

Hoje voltei para casa, todo o fim-de-semana teria sido lua cheia mas por milagre o lobo não atacara nessas duas mesmas noites que estivera-mos fora da aldeia, não é estranho? O que será que se tivera passado?
Desde então todos nos olham de lado, será que acham que um de nós é o lobo? Acho impossível, todos nós acordamos na nossa cama, onde adormecera-mos na noite anterior, além disso o pai foi com eles apanhar o lobo, mas como não houvera mais nenhum sobrevivente, ninguém acreditara nele. Isto é tudo tão confuso, o que se andará a passar? Será que é mesmo um de nós? Será que possa ser eu? Como acordei naquela manhã nua na floresta é possível não é?
14.10.2012

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Querido Diário,

Hoje os meus avós fizeram-me as mesmas perguntas, voltei a negar mas desta vez perguntei, porquê, e eles responderam-me com um olhar sério, disseram que sabiam o que se passara comigo, e eu pensei logo, que os meus pais lhe teriam contado que eu não andara a comer nada, foi o que calculei logo, porque seria a única coisa que meus pais sabiam a meu respeito, eles não souberam que eu andara por ai nua acabada de despertar numa floresta onde eventualmente estariam indivíduos inanimados e onde o lobo teria passado a sua noite. Como saberiam eles? Nem sequer possuíam maneira de o descobrir.
13.02.2012

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Querido Diário,

Ontem há tarde quando os meus pais foram pescar, os meus avós fizeram perguntas muito estranhas, perguntaram-me se eu teria notado alguma mudança em mim, ou se me teriam acontecido coisas estranhas ultimamente, eu neguei sempre, mas sabe-mos que ambas as perguntas deles tinham uma resposta, mas eles, como é que saberiam? Eles não moram na aldeia, como saberiam que me estão a acontecer coisas estranhas recentemente?
Estou muito confusa, não sei o que pensar…
Hoje quando acordei os avós estavam a tirar galinhas mortas de seu quintal, aparentava ter havido uma brusca luta, o que era estranho, eu não tivera ouvido nada durante a noite, e no dia anterior estivera tudo bem com as galinhas, nunca houvera havido uma briga daquelas por lá…
12.10.2012


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Querido Diário,

Cheguei finalmente a casa dos meus avós, eles moram no centro de uma pequena floresta, muito poucos habitantes moram lá perto, eles apreciam mais estarem longe e sossegados, não compreendo porquê, e se acontecer alguma coisa? Se estiverem doentes e precisarem de ajuda? Ninguém saberá nada deles, e ninguém os poderá ajudar no que eles necessitarem.
Enfim, eles optaram por isto…
A viagem até aqui foi longa, devem ter sido umas 5 horas a pé, estou exausta.
11.10.2012

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Querido Diário,

No próximo fim-de-semana irei visitar meus avós, já faz 6 meses que não os vejo, não vêm cá muitas vezes devido ao motivo que estarem a acontecer os ataques do lobo. Eu não os obrigo a vir cá, sei que é muito perigoso para eles, tal como para todas as pessoas, todos têm um medo horrível do lobo, todas as portas e janelas estão fechadas com cadeados, algumas pessoas nem dormem há noite, ficam acordados com armas em frente às portas, com medo de serem mortos por esse cruel animal.
Na nossa igreja, tudo foi protegido com as melhores condições, há pessoas que preferem ir para lá dormir porque dizem que como é um local sagrado ele não conseguirá lá entrar e nunca lhes fará mal, mas na minha opinião, onde o animal pretender entrar, entrará com a maior das facilidades.
10.10.2012


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Querido Diário,

Hoje decidi ir pesquisar na biblioteca da aldeia, sobre lobisomens, lá diz apenas que um lobisomem quando volta ao corpo humano não se lembra do que aconteceu por isso não se consegue controlar.
Dizia também que quem é mordido por um lobisomem e não morre também se torna um, mas acho que aqui todos os que foram mordidos morreram.
Apenas um homem fora mordido e sobrevivera, era o homem que nos ajudava a descobrir o lobo…
09.10.2012

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Querido Diário,

Afinal a felicidade de todos era em vão, aquele lobo era apenas um lobo, não era o lobisomem que todos procuravam. Eu não liguei devido ao que me aconteceu ontem, acordar no meio da floresta nua e coberta de sangue e arranhões, é muito estranho e para mim é bem mais estranho que essa história do lobo, por isso nem dei muita importância, o que os meus pais acharam estranho pois eu ficava sempre cheia de medo quando o lobo atacava outra vez e nesse dia nem ligara… Como é óbvio nem lhes contei do sucedido, apenas iriam achar que eu era sonâmbula, mas eu sei que tudo isto não foi nada disso, parecia tudo tão irreal quando acordei.

08.10.2012

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Querido Diário,

Estou em pânico, não sei o que me aconteceu, estou a tremer por todo o lado, hoje acordei na floresta, estava nua, coberta de sangue e arranhões, com uma corrente á minha volta, essa corrente estivera larga e eu consegui sair… Corpos inanimados estavam a meu lado, não sei o que se passou.
Despi o casaco de um dos homens abatidos, para poder ir para casa, o casaco era comprido, então, escondera o meu corpo nu de olhares alheios.
Quando cheguei a casa, meus pais ainda estavam a dormir naquela mesma altura, e na rua ninguém me vira passar por la naqueles prepares  pois estavam todos a dormir por causa da festa de ontem.
Tomei um banho, e bebi um chá para me acalmar, é claro que antes deitei o casaco fora para que ninguém o pudesse ver.
Desde então não consigo parar de pensar no que acontecera naquele lugar, coberto de mortes, e eu escapara apenas com alguns arranhões, mas mais estranho ainda era como tinha ido parar lá, eu adormecera na minha cama na noite anterior, porem houve um pormenor… Todas as noites eu dormira com um manto azul que meu avô me tivera dado quando fiz 16 anos, foi no dia em que chegou o lobo há aldeia e disse para não o tirar de minha cama nunca mais porque me iria proteger dos acontecimentos que iriam acontecer a partir desse dia, não percebera o porquê mas assim o fiz, e nesta mesma noite eu própria o tivera tirado dali, talvez seja apenas imaginação minha, mas será que o manto… deixa, não pode ser, eu estou a imaginar de certeza, afinal a magia não existe, pois não? Então o manto não pode ter magia nele, mas que tipo de magia poderia ele ter? É só um manto velho…
07.10.2012

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Querido Diário,

Hoje de manha, junto ao mercado encontrara-se uma grande multidão, eu não soubera do que se tratara, as pessoas pareciam estranhas, como á um ano não as via, estavam sorridentes, alegres, amigáveis… Dirigi-me então para descobrir o que se tivera passado, estava um lobo morto no chão.
Todos pensaram que tinham matado o lobo, inclusive eu, toda a aldeia fizera uma festa esta noite. Eu não quis ir, preferi ficar em casa a descansar depois dos longos dias que temos tido na aldeia.
06.10.2012

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Querido Diário,

Os meus pais acham que estou doente, mas eu não me acho doente, eles dizem que não como quase nada durante o dia, e sinceramente não como mas é por não ter fome, o que é estranho porque há um ano para cá isto tem acontecido muitas vezes, antes eu passara o dia inteiro a comer.
Desde o primeiro dia do ataque do lobo que perdi a fome, provavelmente é por pânico ou nervosismo, sem ser isso, que mais poderia ser?
05.10.2012


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Querido Diário,

A noite passada meu pai partira com o grupo para caçar o lobo, eu sabia que ele era forte e que iria conseguir, não, não iria conseguir matar o lobo, mas iria conseguir voltar, e consegui-o, e já diz que quer voltar lá pois tudo aquilo se tornara muito estranho, desapareceu um de cada vez, só ficou ele para contar a história. Ele dissera que depois de o lobo os ter morto a todos, aproximou-se dele, olhou nos olhos e murmurou-lhe ao ouvido, dissera-lhe para não ter medo porque a ele não lhe iria fazer mal, desde então todos o acham louco, e sinceramente nem sei o que pensar… será que estará mesmo louco?

04.10.2012